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Prática do Budismo Zen (zazen):
«Lótus e Lírios»
Largo Alexandre Sá Pinto,
44 - A2 *** PORTO
(à Esc.I.D.Henrique - Pç Galiza)
Horários:
Domingo 11:00 - 12:00
Terça 19:30 - 20:30
Se for feriado,
não haverá sessão
Sessões interrompidas durante
Agosto, retomando em Setembro
Preço por sessão: € 3.50
Contactos:
917 496 580
229 412 775
«Se alguém te perguntar o que é o verdadeiro Zen, não abras a boca para explicar. Expõe todos os aspectos da postura de zazen. Então o vento da Primavera soprará e desabrochará a maravilhosa flor da ameixeira.»
- Dogen
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RAPHÄEL DOKO TRIET
Raphaël Triet começou a sua prática de zazen com 20 anos, tendo por Mestre Taisen Deshimaru. Três anos mais tarde, recebeu das suas mãos a ordenação de monge zen. Foi um dos discípulos mais próximos do Mestre, tendo-o seguido até à sua morte. Dirigiu vários anos o dojo de Paris e é actualmente um dos responsáveis pela Associação Zen Internacional (AZI).
Após ter passado dois anos em Sevilha, fixou-se em Lisboa durante sete anos, fundando aí um dojo e, posteriormente, o Grupo Zen no Porto. Vive actualmente em Paris, mas viaja continuamente pela Europa e Canadá, e sobretudo fazendo «sesshins» mais frequentes na Península Ibérica, na medida em que foi ele que impulsionou o Zen neste lugar da Europa. Todos os meses passa temporadas no Templo de La Morejona, o Templo de Seikyuji, na Andaluzia, fundado por ele, com a ajuda dos seus discípulos que fazem parte da sangha ibérica.
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Excertos de «kusen» proferidos pelo mestre Zen Raphaël Doko Triet
( in «UN SUI» 2)
kusen, literalmente, ku (boca); sen (ensino). É o ensino oral dado no dojo, dado pelo Mestre aos seus discípulos.
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Na Sesshin de Bilbao (28 de Março a 1 de Abril de 1997), durante o mondo (perguntas que os praticantes fazem ao Mestre):
Pergunta: «Em geral, fazemos zazen uma hora por dia, no dojo. Como praticar o zen nas restantes 23 horas?»
Resposta:« Por vezes Sensei dizia: «Fazemos uma hora zazen, é essa hora a mais importante.» E no dia seguinte continuava:« São as 23 horas as mais importantes». Ambas as afirmações são verdadeiras. Essa hora de zazen deve estender-se às restantes 23 horas. Mas ao mesmo tempo, se as 23 horas não existissem, não haveria zazen.
Temos que compreender que o zazen é enriquecido pela vida quotidiana e reciprocamente. Progressivamente, zazen vai-vos influenciar inconscientemente e incita-vos a saber fazer o que deveis saber, desenvolve a vossa intuição, desenvolve a vossa força vital e orienta-vos para serdes justos na vossa vida.» (…)
No Campo de Inverno em la Gendronnière (27 de Dezembro a 1 de Janeiro de 1997-1998):
3 horas da manhã
«O solo está completamente gelado, mas não há rancor
Sós, na montanha, as ameixas selvagens estão cheias de vida
Falam silenciosamente dos solitários dias de Inverno»
Um homem velho, na china, escreveu este poema há muito tempo. Outrora, o som da flauta tornava-o solitário e nostálgico.
«Mas agora eu já não tenho tempo para tais sonhos inúteis
Mesmo durante o sono
Deixo-me flutuar ao vento com as flores da ameixieira.»
Recuem o queixo.
As flores da ameixieira são efémeras. Vivem muito pouco tempo. Muitas vezes surgem um pouco antes da Primavera, no coração da neve, tal como a Primavera no coração do Inverno. O Inverno que contém já todas as cores da Primavera, como zazen.
Mesmo doloroso, difícil, dos principiantes, antigo, zazen é totalmente Buda. Não deveis duvidar disso. Este é um dos pontos essenciais do ensino de Sensei e este ponto contrasta com muitas religiões. Não há etapas. Até o vosso corpo sofrendo é Buda. Prática e realização estão unidas no coração da flor da ameixieira.
Dogen diz:
«Logo que a velha ameixieira floresça, a terra inteira torna-se Primavera
Logo que uma flor se abra, a Primavera chegou
Logo que uma flor abra as suas pétalas, uma outra, duas outras, cem outras flores
Milhares de outras abrem as pétalas para o sol»
Uma única pessoa que faz zazen influencia todo o universo. Esta floração é ao mesmo tempo eterna e efémera. Neste momento o solo está completamente gelado, mas é o momento do Novo ano. Por favor, não tenham ressentimentos, não deixem nada atrás.
«Sós, na montanha, as ameixas selvagens estão cheias de vida»
Tal como a vossa postura de zazen, o verdadeiro espírito da Via no coração do Inverno.
Dogen disse: « Um dia, eu quis perguntar à flor da ameixieira: « Por que é que a Primavera voltou?» Mas a flor da ameixieira ignorava totalmente a resposta.»
No fim de contas, ninguém pode responder. Podemos só seguir, seguir a ordem cósmica.» |